Comportamento suicida da infância à juventude: trajetórias e possibilidades entre os nós do apego, das famílias e das violências: um estudo a partir da Coorte Violência e Saúde Mental de Crianças de São Gonçalo/RJ

Autores

Palavras-chave:

suicídio, comportamento autodestrutivo, autolesão não suicida, estudos de coortes, juventude

Resumo

O objetivo desta Tese foi investigar o comportamento suicida e as autolesões não suicida na infância, adolescência e juventude a partir de dados de um estudo epidemiológico com cinco ondas, a “Coorte Violência e Saúde Mental de Crianças de São Gonçalo/RJ” (2005 a 2022). Nesta Tese, prioriza-se o papel do apego, das famílias e das violências sob uma perspectiva longitudinal e desenvolvimental. A partir de abordagens de triangulação de métodos e de referenciais teóricos filiados a Psiquiatria da Infância e Adolescência, Pediatria, Saúde Mental e Saúde Pública, os resultados e discussões desta pesquisa são apresentados em cinco produtos (artigos científicos e capítulo de livro), respondendo a seus objetivos específicos. 1) Dos 500 escolares (média de idade de oito anos) que constituíram a amostra em 2005, 316 foram seguidos até a terceira onda da coorte (2012), com a aferição do desfecho de interesse “comportamento suicida e autolesões não suicida”. Houve um aumento de 15% na chance de surgir este comportamento (OR 1.15; p=0,069), na presença da representação mental de apego não seguro, aferido através da Escala Global do Desenho da Família, em comparação ao grupo controle (representação mental de apego seguro). Esse achado corrobora os primeiros mil dias de vida como período crítico para promoção de saúde mental e prevenção da violência autoinflingida. 2) 129 jovens foram acompanhados até a quinta onda (2022); desses, 27% apresentaram comportamento suicida e autolesões não suicida, em uma ou mais ondas do estudo. Um olhar ensaístico sobre o panorama de duas décadas da coorte, reconheceu a segunda metade da adolescência e a juventude como as fases de maior ocorrência da violência autoprovocada, além da flutuabilidade desse desfecho nas trajetórias dos participantes, dialogando com as incertezas e os temores familiares com o futuro de seus filhos 3) A investigação de três formas de violências na vida dos 129 participantes, considerando as fases da infância, adolescência e juventude (nove variáveis independentes), sinalizou: alta ocorrência da violência familiar na infância (84,5% de violência física e 76,7% de violência psicológica); maior experimentação e/ou percepção da violência comunitária na juventude (40,3%, vs. 18,6% na infância e 12,4% na adolescência); e magnitude da violência psicológica: da infância à adolescência (p<0,001) e da adolescência à juventude (p=0,063). O modelo de equações estruturais entre essas nove variáveis independentes e o desfecho apontou como mais significativas: violência comunitária na adolescência (0,517; p<0,001), violência familiar psicológica na juventude (0,398; p<0,001) e violência familiar psicológica na infância (0,656; p=0,006). 4) A análise de conteúdo de nove entrevistas com jovens periféricas participantes da quinta onda da coorte (2022) permitiu a discussão sobre os horizontes cotidianos que as mantiveram à margem do suicídio, protegendo-as, apesar do sofrimento e violência. “Espiritualidade”, “ofício” e “maternidade” foram os principais pontos de virada em suas vidas, indicando que as trajetórias de proteção e a prevenção do comportamento suicida precisam avançar através de abordagens decoloniais, interseccionais e com relevância social. 5) Demarcando a urgência do diálogo da academia com a sociedade, com ênfase na prevenção do suicídio, uma resenha foi produzida representando o importante papel da divulgação científica, e um estímulo para aproximação de todos os profissionais que assistem crianças e adolescentes para com essa temática. Esta pesquisa refletiu sobre como o apego e as diferentes formas de violência podem influenciar as trajetórias desenvolvimentais de crianças e adolescentes, aproximando-as do desfecho autolesivo. Pretende-se que os seus achados se somem ao corpo de discussões sobre a prevenção do comportamento suicida e das autolesões não suicida, ampliando a universalização e a sensibilização desse debate.

Biografia do Autor

Orli Carvalho da Silva Filho, Fundação Oswaldo Cruz

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Publicado

18-07-2026

Como Citar

1.
Silva Filho OC da. Comportamento suicida da infância à juventude: trajetórias e possibilidades entre os nós do apego, das famílias e das violências: um estudo a partir da Coorte Violência e Saúde Mental de Crianças de São Gonçalo/RJ . PABP [Internet]. 18º de julho de 2026 [citado 26º de julho de 2026];:1-216. Disponível em: https://revistardp.org.br/abp/article/view/1648

Edição

Seção

Dissertações e Teses

Categorias

Plaudit