Coleta de dados e análise da recorrência familial de distúrbios psiquiátricos e demais fatores de risco em pacientes com esquizofrenia
DOI:
https://doi.org/10.25118/2763-9037.2025.v15.1471Palavras-chave:
esquizofrenia, fatores de risco, padrões de herança, transtornos mentais na gestaçãoResumo
Introdução: A esquizofrenia é uma doença psiquiátrica complexa caracterizada por sintomas como alucinações, delírios, discurso desorganizado, alterações comportamentais e déficits cognitivos. Sua etiologia é multifatorial, envolvendo interações entre fatores genéticos, alterações neuroquímicas e neuroestruturais, bem como influências ambientais, como complicações obstétricas e uso de substâncias. Nesse contexto, a recorrência familiar se destaca como um importante indicador de risco, refletindo a contribuição genética na vulnerabilidade ao transtorno. Objetivo: Avaliar a recorrência familiar de transtornos psiquiátricos e outros fatores de risco em pacientes com esquizofrenia atendidos no ambulatório do Conjunto Hospitalar de Sorocaba. Método: Estudo naturalístico com 30 pacientes diagnosticados com esquizofrenia, utilizando questionário detalhado sobre histórico familiar, gestacional, desenvolvimento neuropsicomotor, idade de início dos sintomas e uso de substâncias. Foram construídos heredogramas familiares e realizadas análises descritivas, comparações entre sexos e correlações exploratórias. Modelos de regressão linear foram aplicados para investigar associações entre diferentes variáveis explicativas e características clínicas dos pacientes, incluindo idade de início, exposição a fatores de risco e antecedentes familiares. Resultados: A amostra apresentou idade média de 34 anos, sendo 53% mulheres. Observou-se histórico familiar de transtornos psiquiátricos em 87% dos pacientes, com maior prevalência entre parentes de primeiro grau. Transtornos mentais durante a gestação mostraram forte associação com a ocorrência de esquizofrenia nos pacientes. Além disso, identificou-se prevalência de uso de álcool, tabaco e cannabis, assim como dificuldades de sociabilidade e comprometimento cognitivo associados ao início precoce da doença. Entre as variáveis analisadas, a ocorrência de transtornos mentais na gestação destacou-se como um fator relevante na manifestação clínica da esquizofrenia. Conclusão: Os achados reforçam a natureza multifatorial da esquizofrenia, demonstrando a importância de considerar fatores genéticos, familiares, gestacionais e comportamentais na avaliação clínica. A compreensão desses elementos contribui para o manejo adequado e para estratégias preventivas em populações de risco.
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