O percurso do sintoma conversivo: da histeria de Freud aos dias de hoje

Autores

  • Mariana Assunção Maia Marques Especializanda, Psiquiatria, Unidade Local de Saúde do Alto Minho, ULSAM, Viana do Castelo, Portugal https://orcid.org/0009-0002-8263-1684
  • Sofia Vilar Soares Psicóloga Clínica, Psicoterapeuta, Sociedade Portuguesa de Psicanálise, SPP, Porto, Portugal https://orcid.org/0009-0006-7132-0281

DOI:

https://doi.org/10.25118/2763-9037.2025.v15.1505

Palavras-chave:

Histeria, Transtorno Conversivo, Convulsões Psicogênicas não Epilépticas

Resumo

Introdução: O sintoma conversivo remonta ao Antigo Egipto tendo tido, ao longo do tempo, diferentes designações e interpretações. Sob o nome de Histeria, foi estudado por Charcot através da hipnose e aprofundado por Freud, levando à descoberta da Psicanálise. Na versão atual do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5), enquadra-se nas Perturbações Conversivas. Objetivo: A partir da reflexão sobre uma ilustração clínica, propõe-se descrever a evolução do sintoma conversivo, desde a histeria de Freud até à atualidade. Métodos: Revisão narrativa da literatura, utilizando a base-de-dados PubMed e os descritores “Conversion disorder”, “hysteria” e “psychogenic nonepileptic seizures”. Como literatura cinzenta, foram incluídos dois artigos científicos e consultados seis livros de referência para a Psiquiatria e Psicanálise. Resultados: O sintoma conversivo constituiu um marco importante na história da Psiquiatria, ao trazer novas possibilidades de compreensão do sofrimento emocional e novas perspetivas de tratamento. Freud constatou que os sintomas físicos da histeria tinham origem psíquica e resultavam de um mecanismo de conversão do sofrimento psicológico – expressão simbólica de uma representação inconsciente inaceitável ao Eu e, por isso, recalcada. Paralelamente, a Neurologia implementou o termo “crises não epiléticas psicogénicas” para diferenciar das crises epiléticas. Conclusão: Considerando as particularidades psicológicas da perturbação conversiva, destaca-se a importância da sensibilização dos profissionais de saúde para uma abordagem empática a estes doentes. Para tal, reconhece-se o benefício da familiarização destes profissionais com aspetos do conhecimento psicodinâmico, úteis na compreensão destes casos. Concluindo, o fundamental para um doente com sintomatologia conversiva é ver o seu sofrimento acolhido.

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Biografia do Autor

Mariana Assunção Maia Marques, Especializanda, Psiquiatria, Unidade Local de Saúde do Alto Minho, ULSAM, Viana do Castelo, Portugal

Sofia Vilar Soares, Psicóloga Clínica, Psicoterapeuta, Sociedade Portuguesa de Psicanálise, SPP, Porto, Portugal

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Publicado

2025-12-04

Como Citar

1.
Marques MAM, Soares SV. O percurso do sintoma conversivo: da histeria de Freud aos dias de hoje. Debates em Psiquiatria [Internet]. 4º de dezembro de 2025 [citado 19º de fevereiro de 2026];15:1-18. Disponível em: https://revistardp.org.br/revista/article/view/1505

Edição

Seção

Artigos de Revisão

Plaudit