O percurso do sintoma conversivo: da histeria de Freud aos dias de hoje
DOI:
https://doi.org/10.25118/2763-9037.2025.v15.1505Palavras-chave:
Histeria, Transtorno Conversivo, Convulsões Psicogênicas não EpilépticasResumo
Introdução: O sintoma conversivo remonta ao Antigo Egipto tendo tido, ao longo do tempo, diferentes designações e interpretações. Sob o nome de Histeria, foi estudado por Charcot através da hipnose e aprofundado por Freud, levando à descoberta da Psicanálise. Na versão atual do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5), enquadra-se nas Perturbações Conversivas. Objetivo: A partir da reflexão sobre uma ilustração clínica, propõe-se descrever a evolução do sintoma conversivo, desde a histeria de Freud até à atualidade. Métodos: Revisão narrativa da literatura, utilizando a base-de-dados PubMed e os descritores “Conversion disorder”, “hysteria” e “psychogenic nonepileptic seizures”. Como literatura cinzenta, foram incluídos dois artigos científicos e consultados seis livros de referência para a Psiquiatria e Psicanálise. Resultados: O sintoma conversivo constituiu um marco importante na história da Psiquiatria, ao trazer novas possibilidades de compreensão do sofrimento emocional e novas perspetivas de tratamento. Freud constatou que os sintomas físicos da histeria tinham origem psíquica e resultavam de um mecanismo de conversão do sofrimento psicológico – expressão simbólica de uma representação inconsciente inaceitável ao Eu e, por isso, recalcada. Paralelamente, a Neurologia implementou o termo “crises não epiléticas psicogénicas” para diferenciar das crises epiléticas. Conclusão: Considerando as particularidades psicológicas da perturbação conversiva, destaca-se a importância da sensibilização dos profissionais de saúde para uma abordagem empática a estes doentes. Para tal, reconhece-se o benefício da familiarização destes profissionais com aspetos do conhecimento psicodinâmico, úteis na compreensão destes casos. Concluindo, o fundamental para um doente com sintomatologia conversiva é ver o seu sofrimento acolhido.
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