Traumatismo cranioencefálico grave na infância como fator associado ao surgimento de traços callous-unemotional: um relato de caso

Autores

  • Myllena Martins Klem Graduanda, Medicina, Universidade para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí, UNIDAVI, Rio do Sul, SC, Brasil https://orcid.org/0009-0001-2622-6548
  • José Eduardo Lobato D'Agostini Docente, Centro Universitário para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí, UNIDAVI, Rio do Sul, SC, Brasil https://orcid.org/0000-0002-8274-8615

DOI:

https://doi.org/10.25118/2763-9037.2026.v16.1529

Palavras-chave:

Traumatismo cranioencefálico, traços callous-unemotional, comportamento antissocial

Resumo

Introdução: O traumatismo cranioencefálico (TCE) grave na infância é uma condição potencialmente devastadora, capaz de gerar sequelas neurológicas e comportamentais duradouras. Estudos recentes têm sugerido uma possível associação entre lesões cerebrais precoces e o desenvolvimento de traços de personalidade callous-unemotional (CU), caracterizados por falta de empatia, frieza afetiva e comportamento antissocial. Objetivo: Relatar o caso de uma criança que, após sofrer TCE grave, apresentou alterações comportamentais compatíveis com traços CU, discutindo a possível relação entre a lesão cerebral e o surgimento desses padrões de personalidade. Método: Estudo observacional e descritivo, baseado na análise de prontuário, entrevistas e revisão de literatura científica atual. Foram avaliadas variáveis clínicas, neurológicas e comportamentais desde o evento traumático até a evolução do quadro psicológico. TCLE assinado pelo responsável. Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da UNIDAVI, sob o parecer nº 7.787.715. Resultados: Observou-se que, após o TCE, a paciente desenvolveu alterações significativas de comportamento, incluindo impulsividade, indiferença emocional e diminuição da sensibilidade à punição. A análise temporal e clínica sugere uma relação causal entre o dano cerebral e o aparecimento dos traços CU, corroborando achados de literatura que apontam o envolvimento de áreas pré-frontais e límbicas nesse perfil comportamental. Conclusão: O caso reforça a hipótese de que o TCE grave na infância pode atuar como fator de risco para o desenvolvimento de traços callous-unemotional, destacando a importância do acompanhamento neuropsicológico precoce e multidisciplinar em pacientes pediátricos com lesões cerebrais significativas.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Métricas

Carregando Métricas ...

Biografia do Autor

Myllena Martins Klem, Graduanda, Medicina, Universidade para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí, UNIDAVI, Rio do Sul, SC, Brasil

José Eduardo Lobato D'Agostini, Docente, Centro Universitário para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí, UNIDAVI, Rio do Sul, SC, Brasil

Referências

1. Li L, Liu J. The effect of pediatric traumatic brain injury on behavioral outcomes: a systematic review. Dev Med Child Neurol. 2012;55(1):37–44. https://doi.org/10.1111/j.1469-8749.2012.04414.x PMid:22998525

2. Koenigs M, Young L, Adolphs R, Tranel D, Cushman F, Hauser M, et al. Damage to the prefrontal cortex increases utilitarian moral judgements. Nature. 2007;446(7138):908–11. https://doi.org/10.1038/nature05631 PMid:17392781

3. Breeden AL, Cardinale EM, Lozier LM, VanMeter JW, Marsh AA. Callous-unemotional traits drive reduced white-matter integrity in youths with conduct problems. Psychol Med. 2015;45(14):3033–46. https://doi.org/10.1017/S0033291715000987 PMid:26087816

4. Dotterer HL, Waller R, Shaw DS, Plass JL, Brang D, Forbes EE, Hyde LW. Antisocial behavior with callous-unemotional traits is associated with widespread disruptions to white matter structural connectivity among low-income, urban males. Neuroimage Clin. 2019;23:101836. https://doi.org/10.1016/j.nicl.2019.101836 PMid:31077985

5. Waller R, Hawes SW, Byrd AL, Dick AS, Sutherland MT, Riedel MC, Tobia MJ, Bottenhorn KL, Laird AR, Gonzalez R. Disruptive behavior problems, callous-unemotional traits, and regional gray matter volume in the adolescent brain and cognitive development study. Biol Psychiatry Cogn Neurosci Neuroimaging. 2020;5(5):481-89. https://doi.org/10.1016/j.bpsc.2020.01.002 PMid:32144045

6. Khalaf HKS, Martin AF, De Brito SA, Barker ED. The underlying mechanisms in the association between traumatic brain injury in childhood and conduct disorder symptoms in late adolescence. Res Child Adolesc Psychopathol. 2023;51(5):709–25. https://doi.org/10.1007/s10802-022-01015-y PMid:36637701

7. Squillaci MM, Cacioppa G, Squillaci A, et al. Callous-unemotional traits and environmental and neurobiological influences: A review. Int J Environ Res Public Health. 2021;18(9):4712. https://doi.org/10.3390/ijerph18094712 PMid:34067392

8. Sharp DJ, Scott G, Leech R. Network dysfunction after traumatic brain injury. Nat Rev Neurol. 2014;10(3):156-66. https://doi.org/10.1038/nrneurol.2014.15 PMid:24569683

9. Anderson V, Spencer-Smith M, Wood A. Do children really recover better? Neurobehavioural plasticity after early brain insult. Brain. 2011;134(Pt 8):2197-221. https://doi.org/10.1093/brain/awr103 PMid:21616969

10. Anderson SW, Bechara A, Damasio H, Tranel D, Damasio AR. Impairment of social and moral behavior related to early damage in human prefrontal cortex. Nat Neurosci. 1999;2(11):1032–7. https://doi.org/10.1038/14833 PMid:10526345

11. Viding E, Blair RJR, Moffitt TE, Plomin R. Evidence for substantial genetic risk for psychopathy in 7-year-olds. J Child Psychol Psychiatry. 2005;46(6):592–7. https://doi.org/10.1111/j.1469-7610.2004.00393.x PMid:15877766

12. Max JE, Wilde EA, Bigler ED, Thompson WK, MacLeod M, Vasquez AC, Merkley T, Hunter JV, Chu ZD, Yallampalli R, Hotz G, Chapman SB, Yang TT,Levin HS. Neuroimaging correlates of novel psychiatric disorders after pediatric traumatic brain injury. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry. 2012;51(11):1208–17. https://doi.org/10.1016/j.jaac.2012.08.026 PMid:23101744

13. Blair RJR, Cipolotti L. Impaired social response reversal: a case of acquired sociopathy. Brain. 2000;123(Pt 6):1122–41. https://doi.org/10.1093/brain/123.6.1122 PMid:10825356

14. Adolphs R, Tranel D, Damasio H, Damasio AR. Impaired recognition of emotion in facial expressions following bilateral damage to the human amygdala. Nature. 1994;372(6507):669–72. https://doi.org/10.1038/372669a0 PMid:7990957

15. Catroppa C, Anderson V, Morse S, Haritou F, Rosenfeld J. Outcome and predictors of functional recovery 5 years following pediatric traumatic brain injury. J Pediatr Psychol. 2008;33(7):707-18. https://doi.org/10.1093/jpepsy/jsn006 PMid:18287103

Downloads

Publicado

2026-01-15

Como Citar

1.
Klem MM, D'Agostini JEL. Traumatismo cranioencefálico grave na infância como fator associado ao surgimento de traços callous-unemotional: um relato de caso. Debates em Psiquiatria [Internet]. 15º de janeiro de 2026 [citado 19º de fevereiro de 2026];16:1-11, e1529. Disponível em: https://revistardp.org.br/revista/article/view/1529

Edição

Seção

Relato de Caso

Plaudit