Obsessão ou alucinação musical? Uma reflexão psicopatológica e psicofarmacológica a partir de uma vinheta fictícia

Autores

DOI:

https://doi.org/10.25118/2763-9037.2026.v16.1637

Palavras-chave:

Tanstorno obsessivo-compulsivo, Alucinações, Música, Psicofarmacologia, Diagnóstico Diferencial

Resumo

Introdução: Fenômenos musicais persistentes ocupam uma fronteira clínica pouco discutida entre imagem musical intrusiva, obsessão musical e alucinação musical. A distinção é relevante porque cada formulação orienta investigação, manejo e comunicação diagnóstica diferentes. Objetivo: Propor uma reflexão psicopatológica e psicofarmacológica sobre a pergunta diagnóstica “obsessão ou alucinação musical?”, usando uma vinheta clínica inteiramente fictícia e não derivada de caso real. Discussão: A obsessão musical tende a se apresentar como conteúdo mental intrusivo, repetitivo, indesejado e egodistônico, frequentemente acompanhado de ansiedade, insight preservado e esforço de resistência ou neutralização. A alucinação musical, por sua vez, corresponde a experiência perceptiva de música sem fonte externa correspondente, frequentemente associada a perda auditiva, privação sensorial, condições neurológicas, medicamentos, transtornos neurocognitivos ou quadros psiquiátricos. Nem o DSM-5-TR nem a CID-11 descrevem “obsessão musical” ou “alucinação musical” como diagnósticos autônomos; ambos exigem formulação sindrômica, contextual e diferencial. O tratamento psicofarmacológico depende da formulação: estratégias antiobsessivas, como inibidores de recaptura de serotonina e clomipramina, podem ser consideradas quando predomina fenomenologia obsessivo-compulsiva; antipsicóticos, anticonvulsivantes, revisão medicamentosa, abordagem auditiva ou neurológica podem ser necessários em cenários específicos de alucinação musical ou comorbidades. Conclusão: A pergunta “obsessão ou alucinação musical?” não deve ser respondida de modo apressado. O valor clínico está em sustentar a dúvida diagnóstica, descrever a experiência com precisão fenomenológica e individualizar o tratamento sem rotular indevidamente o paciente como psicótico.

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Biografia do Autor

Rodrigo Nicolato, Universidade Federal de Minas Gerais

http://lattes.cnpq.br/7268639115607517 
Professor Titular, Departamento de Psiquiatria, Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil

Jussara Mendonça Alvarenga, Hospital Central da Polícia Militar

http://lattes.cnpq.br/7099234540857500

https://orcid.org/0009-0004-3715-4828

Jussara Mendonça Alvarenga: Clínica de Psiquiatria, Hospital da Polícia Militar de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil

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Publicado

2026-07-07

Como Citar

1.
Nicolato R, Alvarenga JM. Obsessão ou alucinação musical? Uma reflexão psicopatológica e psicofarmacológica a partir de uma vinheta fictícia. Debates Psiquiatr. [Internet]. 7º de julho de 2026 [citado 26º de julho de 2026];16:1-10, e1637. Disponível em: https://revistardp.org.br/revista/article/view/1637

Edição

Seção

Comunicação Breve

Plaudit