O prompt cego: um limite anterior à resposta da inteligência artificial no aconselhamento relacional

Autores

DOI:

https://doi.org/10.25118/2763-9037.2026.v16.1685

Palavras-chave:

IA, inteligência artificial, psicoterapia, relações interpessoais, tomada de decisões, saúde mental

Resumo

Introdução: Pessoas em sofrimento relacional recorrem cada vez mais à inteligência artificial generativa para interpretar conflitos, redigir mensagens e decidir sobre separações. A discussão atual enfatiza respostas incorretas, riscos de validação excessiva e a entrada de uma “terceira voz” nas relações, mas considera menos uma limitação anterior à resposta: o usuário só consegue incluir no prompt aquilo que está disponível à sua própria compreensão naquele momento. Objetivo: Propor, como formulação teórico-clínica, o conceito de prompt cego e discutir sua utilidade em psiquiatria e psicoterapia. Método: Ensaio teórico-clínico ilustrado por vinheta inteiramente fictícia, não derivada de paciente identificável. Resultado: O prompt cego descreve perguntas estruturadas por omissões clinicamente relevantes que o usuário não reconhece, não mentaliza ou não consegue formular sob intensa ativação afetiva. Propõem-se quatro tipos heurísticos de ponto cego: não formulado, contraditório, relacional e dependente do estado. Mesmo coerente com o problema apresentado, a resposta da inteligência artificial pode reforçar fechamento decisório prematuro, atribuições unilaterais ou redução de um conflito diádico a traços individuais. Propõe-se que o clínico examine a função, o enquadramento, as ausências e os efeitos posteriores da consulta. Conclusão: O limite clínico pode surgir antes da resposta. O prompt deve ser tratado como material clínico e como mapa provisório do que o paciente consegue e ainda não consegue pensar.

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Biografia do Autor

Marcos Temistocles Duarte, MT Psiquiatria, Harmony Trade Center, Maceió, AL, Brasil

http://lattes.cnpq.br/8381023808070684

Médico psiquiatra e psicoterapeuta (CRM-AL 4701, RQE 2429), com atuação clínica em MT Psiquiatria, Harmony Trade Center, Maceió, AL, Brasil. Já publicou na Revista Debates em Psiquiatria o relato de caso "Síndrome de Capgras secundária a traumatismo crânioencefálico frontal em paciente com transtorno afetivo bipolar tipo II" e o artigo de atualização "Neurobiologia do insight terapêutico: um modelo integrado de reconsolidação, erro de predição e processamento emocional implícito". Recebeu convite para apresentar o trabalho sobre síndrome de Capgras em congresso em Paris, França. Encontra-se atualmente em fase final do processo de reconhecimento de grau, Mestrado (revalidação de diploma) junto à Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), Portugal.

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Publicado

2026-10-14

Como Citar

1.
Duarte MT. O prompt cego: um limite anterior à resposta da inteligência artificial no aconselhamento relacional. Debates Psiquiatr. [Internet]. 14º de outubro de 2026 [citado 16º de outubro de 2026];16:1-10, e1685. Disponível em: https://revistardp.org.br/revista/article/view/1685

Edição

Seção

Comunicação Breve

Plaudit