O prompt cego: um limite anterior à resposta da inteligência artificial no aconselhamento relacional
DOI:
https://doi.org/10.25118/2763-9037.2026.v16.1685Palavras-chave:
IA, inteligência artificial, psicoterapia, relações interpessoais, tomada de decisões, saúde mentalResumo
Introdução: Pessoas em sofrimento relacional recorrem cada vez mais à inteligência artificial generativa para interpretar conflitos, redigir mensagens e decidir sobre separações. A discussão atual enfatiza respostas incorretas, riscos de validação excessiva e a entrada de uma “terceira voz” nas relações, mas considera menos uma limitação anterior à resposta: o usuário só consegue incluir no prompt aquilo que está disponível à sua própria compreensão naquele momento. Objetivo: Propor, como formulação teórico-clínica, o conceito de prompt cego e discutir sua utilidade em psiquiatria e psicoterapia. Método: Ensaio teórico-clínico ilustrado por vinheta inteiramente fictícia, não derivada de paciente identificável. Resultado: O prompt cego descreve perguntas estruturadas por omissões clinicamente relevantes que o usuário não reconhece, não mentaliza ou não consegue formular sob intensa ativação afetiva. Propõem-se quatro tipos heurísticos de ponto cego: não formulado, contraditório, relacional e dependente do estado. Mesmo coerente com o problema apresentado, a resposta da inteligência artificial pode reforçar fechamento decisório prematuro, atribuições unilaterais ou redução de um conflito diádico a traços individuais. Propõe-se que o clínico examine a função, o enquadramento, as ausências e os efeitos posteriores da consulta. Conclusão: O limite clínico pode surgir antes da resposta. O prompt deve ser tratado como material clínico e como mapa provisório do que o paciente consegue e ainda não consegue pensar.
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