Transtorno depressivo pós-colectomia: relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.25118/2763-9037.2025.v15.1483Palavras-chave:
Colectomia, Enterostomia, Transtorno Depressivo, Saúde Mental, Equipe MultiprofissionalResumo
A enterostomia é um procedimento cirúrgico indicado em diversas condições, como câncer colorretal, e consiste na exteriorização de uma porção do intestino por meio da parede abdominal. Embora seja uma abordagem terapêutica essencial, possui repercussões físicas, sociais e psicológicas importantes, com ênfase no desenvolvimento de transtornos depressivos. Estudo iniciado mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) pela paciente e aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde PUC-SP, cujo número do parecer é 7.633.080 e CAAE é 88752825.5.0000.5373. O estudo objetiva relatar o caso de uma paciente diagnosticada com câncer de ovário com metástase intestinal, que foi submetida à colectomia e colostomia e evoluiu com sintomas compatíveis com Transtorno Depressivo Devido a Outra Condição Médica, segundo critérios do DSM-5-TR. A correlação temporal e causal entre o procedimento cirúrgico e o início dos sintomas, associada à análise do discurso, evolução clínica e fatores de risco, sustentam o diagnóstico. Foram considerados diagnósticos diferenciais, como Transtorno de Estresse Pós-Traumático e Transtorno de Adaptação, mas sem preenchimento de critérios suficientes. O manejo da paciente incluiu psicoterapia e farmacoterapia com uso de antidepressivos, dificultado pela refratariedade às medicações de primeira linha. O caso ilustra a importância de compreender os diversos mecanismos envolvidos na fisiopatologia, como a alteração da microbiota intestinal, neuroinflamação e as mudanças na qualidade de vida e dificuldade de autoaceitação. Destaca-se, ainda, a necessidade de acompanhamento com equipe multiprofissional e de intervenções precoces que promovam suporte à saúde mental desses pacientes, a fim de minimizar o sofrimento psíquico e melhorar a qualidade de vida no pós-operatório; além de seguimento periódico, permitindo avaliação de efeitos adversos da terapia farmacológica e desprescrição em momento oportuno.
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