Síndrome de Capgras secundária a traumatismo crânioencefálico frontal em paciente com transtorno afetivo bipolar tipo II: relato de caso com correlação neuropsiquiátrica
DOI:
https://doi.org/10.25118/2763-9037.2026.v16.1570Palavras-chave:
Síndrome de Capgras, traumatismo crânioencefálico, Transtorno afetivo bipolar tipo II, síndrome frontal, neuropsiquiatriaResumo
Introdução: As síndromes de identificação delirante são condições neuropsiquiátricas raras caracterizadas pela crença de que indivíduos emocionalmente significativos foram substituídos por sósias idênticos. Embora tradicionalmente associadas a transtornos psicóticos primários, evidências crescentes apoiam sua ocorrência no contexto de lesões cerebrais estruturais, particularmente envolvendo os lobos frontais e os circuitos fronto-límbicos. Objetivo: Relatar um caso de síndrome de Capgras secundária a traumatismo cranioencefalico (TCE) frontal em paciente com transtorno afetivo bipolar tipo II (TAB II), correlacionando achados clínicos e imagiológicos. Método: Registrado na Plataforma Brasil, CAAE: 97486826.7.0000.0155, Parecer 8.448.140. Autor do relato de caso apresentou documento de dispensa do TCLE. O caso foi analisado por meio de revisão detalhada do histórico clínico, registros hospitalares, exames de neuroimagem e acompanhamento neuropsiquiátrico ambulatorial. Foram considerados critérios clínicos e imagiológicos para TCE frontal, transtorno neurocognitivo adquirido e síndrome de Capgras, com correlação dos achados com alterações de humor e personalidade prévias. O acompanhamento incluiu avaliação cognitiva seriada, observação do comportamento delirante em contexto natural e resposta a intervenções psicoterápicas e farmacológicas. Relato do caso: Homem de 66 anos, com diagnóstico prévio de TAB II, apresentou múltiplos episódios de TCE entre 2024 e 2025, evoluindo com transtorno neurocognitivo de predomínio frontal. Desenvolveu episódios delirantes flutuantes compatíveis com síndrome de Capgras, direcionados ao cuidador principal, com preservação da memória semântica e profissional. Após o segundo TCE, observou-se alteração qualitativa da personalidade, com redução da agressividade e maior afabilidade. A tomografia computadorizada evidenciou gliose e encefalomalácia frontal, aumento do espaço peri-encefálico, ventriculomegalia compensatória e focos hipotenuantes na substância branca. Discussão: O caso ilustra a desconexão entre reconhecimento perceptivo e resposta emocional subjacente à síndrome de Capgras associada à lesão frontal. O TAB II prévio apresentou modificação de sua expressão clínica após os TCEs, com redução da impulsividade. A emergência do delírio esteve relacionada a contextos de desamparo afetivo, sendo parcialmente responsiva a intervenções psicoterápicas não confrontativas e ao uso de antipsicóticos atípicos. Conclusão: Este relato evidencia a complexa interação entre lesão frontal adquirida, transtorno neurocognitivo e síndrome de Capgras secundária em paciente com TAB II, ressaltando a importância da avaliação clínica integrada, da correlação imagiológica e da compreensão psicodinâmica do sintoma.
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