Avaliação do uso de benzodiazepínicos em população idosa no interior da Bahia

Autores

  • Jefferson Meira Pires Pós-graduando em Neurociências, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, BA, Brasil https://orcid.org/0000-0003-0874-0946

DOI:

https://doi.org/10.25118/2763-9037.2023.v13.482

Palavras-chave:

benzodiazepínicos, prevalência, idosos

Resumo

Introdução: Os idosos são mais vulneráveis aos efeitos adversos dos benzodiazepínicos devido comorbidades, polifarmácia e interações medicamentosas. Objetivo: Avaliar a prescrição de benzodiazepínicos na população idosa em um Centro de Saúde no interior da Bahia. Métodos: Trata-se de um estudo descritivo observacional, transversal e retrospectivo, que incluiu idosos acima de 60 anos. Foi realizada uma seleção da população de pacientes do Centro de Saude, atendendo critérios de inclusão e exclusão, um levantamento epidemiológico através de uma entrevista estruturada em um único momento e o Mini Exame do Estado Mental (Mini Mental State Examination) para avaliar nível cognitivo dos pacientes. Os dados foram analisados utilizando o software Statistical Package for Social Sciences (SPSS Inc., Chicago, IL, EUA), versão 14.0, sendo que as variáveis foram expressas em frequência e percentuais e, para comparação entre as mesmas, foi utilizado o Teste do Qui Quadrado e estabelecido valor de p≤0,05 para demonstrar significância estatística. Resultados: A taxa de uso de benzodiazepínicos nesta população foi de 65%, com predominância do clonazepam (39,1%) e diazepam (29,7%). Os especialistas que mais prescreveram os benzodiazepínicos foram psiquiatras (53,9%) e médicos generalistas (32%). Dentre os idosos que utilizam benzodiazepínicos, 41,4% foram orientados a fazer uma tentativa de descontinuação, e destes, 35,8% conseguiram realizar retirada completa. Dentre aqueles que tentaram e não obtiveram sucesso, as principais causas de falha foram a retirada abrupta (44,1%) e recorrência dos sintomas durante a retirada gradual (32,4%). Conclusões: O estudo demonstrou alta prevalência de uso de benzodiazepínicos em idosos nesta amostra, o baixo estímulo à prática de descontinuação desses medicamentos, tendendo ao abuso com o envelhecimento. Diante disso, estratégias de descontinuação dos benzodiazepínicos devem ser estimuladas assim como o treinamento de toda a equipe no enfrentamento deste problema de saúde pública.

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Biografia do Autor

Jefferson Meira Pires, Pós-graduando em Neurociências, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, BA, Brasil

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Publicado

2023-05-05

Como Citar

1.
Pires JM. Avaliação do uso de benzodiazepínicos em população idosa no interior da Bahia. Debates em Psiquiatria [Internet]. 5º de maio de 2023 [citado 13º de julho de 2024];13:1-20. Disponível em: https://revistardp.org.br/revista/article/view/482

Edição

Seção

Artigos Originais

Plaudit