Desospitalização, moradias assistidas e inclusão social no contexto da política brasileira de saúde mental

Autores

  • César Augusto Trinta Weber MD. MSc. PhD. Pós-Doutor. Departamento de Psiquiatria, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, SP.

DOI:

https://doi.org/10.25118/2763-9037.2018.v8.203

Palavras-chave:

Antropologia cultural, desinstitucionalização, moradias assistidas, política pública de saúde, saúde mental

Resumo

Objetivo: Investigar a inclusão social das pessoas com transtornos mentais, com história de internação de longa permanência em um hospital psiquiátrico, transferidas para residências terapêuticas em uma vila de Porto Alegre (RS). Método: Esta foi uma pesquisa qualitativa descritiva associada às técnicas de observação participante e entrevistas em profundidade. Foram realizadas 25 entrevistas com os moradores locais. Resultados: A Vila Cachorro Sentado é uma área invadida, em meio a um bairro de classe média, dominada pelo tráfico de drogas e pelo comércio ilegal de produtos roubados. A vida social na vila é restrita ou inexistente; a discriminação e o estigma estão presentes, inclusive com atitudes hostis. O retraimento das pessoas com transtornos mentais desospitalizadas pode ser constatado. Conclusões: A criação das residências terapêuticas, em meio à realidade da vila, compromete o alcance dos objetivos de reinserção social, liberdade e retomada de autonomia das pessoas com transtornos mentais transferidas para esses serviços substitutivos.

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Publicado

2018-02-28

Como Citar

1.
Weber CAT. Desospitalização, moradias assistidas e inclusão social no contexto da política brasileira de saúde mental. Debates em Psiquiatria [Internet]. 28º de fevereiro de 2018 [citado 27º de junho de 2022];8(1):20-8. Disponível em: https://revistardp.org.br/revista/article/view/203

Edição

Seção

Artigos originais