Afinal, o lítio é um teratógeno relevante?

Autores

  • Amaury Cantilino Diretor do Programa de Saúde Mental da Mulher da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Professor Adjunto do Departamento de Neuropsiquiatria da UFPE.
  • Joel Rennó Jr Médico Psiquiatra. Diretor do Programa de Saúde Mental da Mulher (ProMulher) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), São Paulo. Doutor em Psiquiatria pela FMUSP. Membro fundador da International Association for Women’s Mental Health. Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein – SP. https://orcid.org/0000-0003-1954-5898
  • Hewdy Lobo Ribeiro Psiquiatra Forense, Psicogeriatra e Psicoterapeuta pela Associação Brasileira de Psiquiatria. Psiquiatra do ProMulher do Instituto de Psiquiatria da USP. https://orcid.org/0000-0001-9117-1937
  • Juliana Pires Cavalsan Psiquiatra do Programa de Saúde Mental da Mulher (ProMulher) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), São Paulo.
  • Renan Rocha Médico Psiquiatra. Coordenador do Serviço de Saúde Mental da Mulher das Clínicas Integradas da Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC)

DOI:

https://doi.org/10.25118/2763-9037.2013.v3.319

Palavras-chave:

lítio, gravidez, teratogenicidade

Resumo

O lítio já foi apontado nos anos de 1980 como um forte teratógeno. Uma revisão de estudos posteriores realizada nos anos 1990 estimou que o risco de malformações cardíacas era menor do que o relatado e deveria estar entre 0,9% a 12%. Este artigo revisa os dados destes estudos e assinala possíveis vieses que podem colocar em dúvida as estimativas aceitas na atualidade. Concluiu-se  que, considerando as sérias limitações dos estudos retrospectivos, caso-controle e prospectivos sobre este tema, o potencial
teratogênico do lítio não deve ser desprezado e, portanto, é uma medicação que deve ser prescrita com muito critério durante a gravidez. Quando houver a exposição, é aconselhável realizar uma ecocardiografia fetal e neonatal para excluir a possibilidade de anomalias cardíacas. Antipsicóticos e lamotrigina podem ser possíveis alternativas para o tratamento do transtorno bipolar durante a gravidez.

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Referências

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Publicado

2022-05-07

Como Citar

1.
Cantilino A, Rennó Jr J, Ribeiro HL, Cavalsan JP, Rocha R. Afinal, o lítio é um teratógeno relevante? . Debates em Psiquiatria [Internet]. 7º de maio de 2022 [citado 1º de março de 2024];3(4):24-8. Disponível em: https://revistardp.org.br/revista/article/view/319

Edição

Seção

Artigos de Revisão

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